14.12.11
gostaria muito que esta história fosse baseada em fatos reais, infelizmente não é. não porque não tenho coragem de dizer as coisas na cara das pessoas, como pensa a garota que trabalha comigo, mas porque o desgaste não compensa.
a minha falta de fé incomoda as pessoas e de tempos em tempos alguém implica comigo e diz que eu ainda verei a luz. luz? a que emana do senhor ou o iluminismo propriamente dito? se for a última, preciso treinar a perspectiva geométrica antes, tô séculos atrasada. bom, faço parte de alguma religião? não. acredito com alguma divindade? sim, o google, ele sim é o senhor de todas as respostas não. falto com respeito com as pessoas que pensam diferente de mim ou questiono suas razões? não, claro que não.
me inscrevi num curso aos sábados que alia arte e sagrado maneira pouco obvia. na turma tem de tudo: o cara nerd doutor em física que sabe tudo e sempre tem um ponto de vista interessante, a professora de história trabalhada na gentileza e humildade, a tia carola que acredita fervorozamente em deus e na bíblia, o analista com problemas de dicção, a mulher que dá mole para o professor, um bando de perdidos e eu, perdidona com jeitão de arrogante e o coração cheio de amor. lá todo mundo de despe dos pré-conceitos e aprende loucamente. eu também. no começo meio que torci o nariz para os egípcios, só porque eles cogitaram seriamente a idéia de vida após a morte, mas passou.
devo dizer que simpatizo com o islamismo, sem os estados governados por sheikhs e aquele fundamentalismo todo. primeiro, já abriu o corão? tem como não amar? vejo uma tentativa nobre de não ser hipócrita que é tocante. e quando eles decidem não ser iconoclastas? você pensa: "nossa, vou ter que recusar o belo e apenas me sentir tocado pelas suratas recitadas em cânticos?" não! eles criam a arte do adorno com arabescos que influenciaram o mundo. já tentou assistir a salat'al jumuah sem pirar o cabeção os arabescos de uma mesquita? porém isso não é suficiente pra eu mudar meu nome pra khadija e viver sob opressão muçulmana. acho legal, só isso. do mesmo jeito que acho legal visitar todas as igrejas do mundo quando viajo.
tem um pessoal aí (não posso citar nomes) que insiste que da mesma forma que estou me tornando uma pessoa mais política, um dia serei uma crente convicta. tem um outro pessoal aí que acha que falo isso pra fazer sucesso e que sou cristã de mentira. estamos em 2011, não dá para cruzar os braços, fazer biquinho e dizer que não acredita porque não sabe, google tá aí, meu povo. eu não sou burra, não posso negar que tenho problemas de auto-estima quando comparada ao danielsinhu, mas mesmo assim não sou burra. deveria ao menos ter crédito pelas minhas escolhas. Labels: a insustentável leveza do ser feelings, in'cha alláh, rir NÃO compensa meu salário
bruna | 00:22 |
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